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Paciente com dengue morreu após ser atendida por falsos médicos; pai de suspeito também atuava ilegalmente, diz polícia

redacao by redacao
27/05/2026
in Últimas Notícias
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Paciente com dengue morreu após ser atendida por falsos médicos; pai de suspeito também atuava ilegalmente, diz polícia
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Polícia prende homem suspeito de atuar como falso médico
Uma fisioterapeuta diagnosticada com dengue sofreu uma parada cardíaca e morreu após ser atendida por dois falsos médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos não souberam realizar manobras básicas de reanimação durante a emergência. O caso ocorreu em 2024.
As informações foram divulgadas na terça-feira (26) durante coletiva sobre a Operação Hipócrates II, que investiga a atuação de dois homens suspeitos de exercer ilegalmente a medicina na unidade hospitalar. Segundo o secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, o pai de Marcos Phelipe de Barros, um dos investigados, também exercia medicina ilegalmente e tinha ligação com o crime organizado.
De acordo com a investigação, Marcos Phelipe utilizava documentos verdadeiros de um médico chamado Nicolas Joseph Della Matta para atuar no hospital. O segundo suspeito é Maike César Silva, que fugiu para o Chile e é considerado foragido.
Segundo a Polícia Civil, os dois foram responsáveis por cerca de 2 mil atendimentos em dois anos, com nove óbitos decorrentes de mau atendimento.
Polícia prende falso médico que atuava em hospital particular na Zona Leste de SP
Reprodução/TV Globo
Em um dos casos investigados, a paciente com dengue começou a apresentar piora no quadro até sofrer uma parada cardíaca.
“Eles não sabiam como proceder. Ela passou a ficar em uma situação delicada até que ela teve uma parada cardíaca, e eles não sabiam como ressuscitar. É uma manobra muito simples para uma pessoa com conhecimento técnico realizar”, afirmou o delegado José Mariano Filho, responsável pela investigação.
Outro caso citado pela polícia envolve uma mulher com problemas cardíacos. Segundo Mariano Filho, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que um erro de procedimento causou a morte da paciente.
“Ela ficou oito horas sem que fosse feito um exame cardíaco que apuraria que ela estava com aneurisma na aorta. Por conta desse intervalo de tempo tão longo, ela morreu”, contou o delegado.
As apurações começaram após denúncias de irregularidades em atendimentos realizados no hospital em dezembro do ano passado. Segundo os investigadores, Marcos Phelipe começou a atuar inicialmente na ala pediátrica da unidade. Apesar disso, não há confirmação até o momento de mortes de crianças relacionadas ao caso.
Segundo a polícia, ele também realizava atendimentos por telemedicina a partir da própria casa. Equipamentos usados nos atendimentos foram apreendidos pela polícia.
A investigação ainda aponta que Maike César Silva atuava em atendimentos emergenciais do Samu de Taboão da Serra, na Grande SP.
As investigações também miram a possível omissão da direção do hospital. Segundo Mariano Filho, os suspeitos recebiam salários inferiores aos dos demais médicos da unidade, o que levantou suspeitas.
“O pagamento que era realizado para esses falsos médicos era diferenciado, a menor. Por que alguém aceitaria ser remunerado a menor? Essa é uma das características”, disse o delegado.
Segundo a Polícia Civil, a direção do hospital já havia sido alertada sobre a atuação dos falsos médicos em dezembro do ano passado. A Justiça determinou o afastamento da gestora do hospital e do diretor clínico da unidade.
Na avaliação do secretário Nico Gonçalves, o hospital tem responsabilidade no caso porque a direção deveria verificar o currículo dos profissionais antes da contratação.
A defesa de Marcos Phelipe afirmou que ele é biomédico e negou que ele atuasse como médico. Os advogados também disseram que Maike César Silva é instrumentador cirúrgico e que ambos poderiam trabalhar em ambiente hospitalar. A defesa classificou a operação como “midiática e injusta” e afirmou que Maike pretende se entregar às autoridades.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) afirmou que o exercício ilegal da medicina é caso de polícia e informou que, quando identifica profissionais se passando por médicos ou tentativas de registro com documentos falsos, aciona os órgãos competentes. Abaixo, leia a íntegra da nota:
“O Cremesp informa que o exercício ilegal da Medicina é um caso de polícia, uma vez que a atuação do Conselho se limita a profissionais médicos registrados na Autarquia.
O Cremesp, quando identifica, por exemplo, durante fiscalização, que há profissionais se passando por médicos, ou quando o Conselho percebe tentativas de registro com apresentação de documentos falsos, como diplomas, aciona os órgãos competentes, como o Ministério Público e a Polícia.
Cabe ressaltar que o Conselho disponibiliza o Guia Médico em seu site, para que empresas médicas e pacientes possam checar se o profissional que o está atendendo é médico e está com registro regular no conselho. Caso a empresa contratante tenha dúvidas em relação ao profissional mesmo após consulta pública ao Guia, ela deverá entrar em contato com o Cremesp pelos canais oficiais.”

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/27/paciente-com-dengue-morreu-apos-ser-atendida-por-falsos-medicos-pai-de-suspeito-tambem-atuava-ilegalmente-diz-policia.ghtml

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